segunda-feira, 26 de abril de 2010

25 de Abril

Gostava que os meus filhos percebessem a importância desta data. 
Que entendessem que muito do que conquistámos nos últimos 36 anos foi graças à "Revolução dos Cravos" e ao inconformismo de alguns Portugueses.
Que reconhecessem também que muito do nosso actual atraso se ficou a dever ao "orgulhosamente sós" do anterior regime. E sobretudo que aprendam com os erros do passado e alarguem os seus horizontes (mas que não se "alarguem" de tal modo que os meus olhos deixem de os alcançar )...

Em homenagem à data, relembro o poema de António Gedeão, que a Odete Santos interpreta como ninguém!

Calçada de Carriche
 
Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueija
pela calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
António Gedeão, in 'Teatro do Mundo'


Para aligeirar o tema, deixo aqui um registo do dia de ontem, um dia bem passado a ver o meu pequenote a jogar futebol (ou a fingir que joga, porque em 3 jogos não ganharam nenhum e dos golos sofridos perdemos a conta).

Gosto tanto desta foto que tenho de a colocar aqui, porque mostra um dos raros momentos de convívio sereno do meu teenager com o pai, à sombra, a apreciar o jogo de futebol e a torcer pelo nosso Ronaldinho (ou então não..eh.eh...)!



domingo, 18 de abril de 2010

Correr à chuva é de doidos...

... mas é isso que nós somos!

As crianças também estavam para ir, mas ainda houve alguma sanidade mental e deixamo-las em casa.

Os verdadeiros atletas iam à corrida dos 15 km, a estreante e os "s.o.s. - tragam-me uma botija de oxigénio" iam para os 5 km. Estivemos para desistir, mas o entusiasmo do pessoal que já aquecia junto ao Campo Grande começou a fazer efeito... Mal a chuva deu uma pequena trégua, lá nos lançamos à aventura.

Como as provas começavam à mesma hora em locais diferentes (terminavam no mesmo sítio), quando nós, os amadores, chegámos já a prova tinha começado... ainda fomos buscar os dorsais... e lá partimos feitos doidos à procura da cauda da corrida/caminhada! Como se não fosse já difícil fazer os 5 km ao mesmo tempo que o resto da malta.

Quase à chegada apanhei uma valente chuvada e uma senhora que passeava pela R. da Prata disse-me que Deus estava zangado connosco... é bem capaz de estar, mas a sanidade mental dela também não era muito maior que a nossa, para andar na rua com aquela chuva toda!

A Corrida do Metropolitano "já era" e no final fica sempre a pergunta: Quando é a próxima?




sábado, 10 de abril de 2010

Galiza

As férias voaram. Este slide show serve para relembrar os melhores locais por onde passámos. 
Já conhecia Vigo e de novo só retirei a nossa inesperada bartender. 

A Corunha foi uma agradável surpresa. É uma cidade que sabe valorizar o que tem de melhor: a natureza. Fiquei fã daquele passeio marítimo, onde toda a gente circula, a andar, a correr, de bicicleta, de skate, de patins, um espectáculo! Tenho pena que as nossas cidades não tenham o mesmo espírito de incentivo às actividades ao ar livre e ao desporto. Vi imensos espaços desportivos e parques infantis.

Quando vou para o Algarve com os meus filhos e após meia dúzia de dias no ritmo praia-piscina, as crianças sentem necessidade de fazer algo diferente. Tenho pena que por lá não existam os meus espaços de lazer que vi na Corunha.





Santiago de Compostela é um local secular e sagrado. Gostava de fazer o "Caminho para Santiago" e obter o meu passaporte do peregrino. Quem sabe um dia, quando os meus filhotes já forem mais velhos (nessa altura talvez não me queiram acompanhar, mas só vai quem quer)!

Gostei de Sanxenxo, apanhamos algum trânsito em Pontevedra. 

Depois foi um nunca acabar de estrada, pois decidimos regressar por Ourense, a caminho da Peneda do Gerês. Chegamos já bastante tarde e a serra não é local para passeio àquelas horas. É impressionante a diferença no asfalto quando se vem de Espanha para Portugal pela Portela do Homem, pois é uma maravilha na terra de nuestros hermanos e à chegada a Portugal somos brindados com um buraco enorme e o resto do caminho é aos altos e baixos... mas prefiro o nosso lado da serra!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Inesquecível

As férias valem sempre a pena, mas esta Páscoa ficará provavelmente para sempre na minha memória.
Para mim a Páscoa tem um significado muito especial e está irremediavelmente ligada ao Gerês, de onde os meus pais são naturais. Aqui a tradição da visita Pascal ainda é o que era, com algumas modernices pelo meio, como o facto de o padre ser novo e não estar para se chatear a andar de casa em casa. Depois da missa fomos dar com ele no café a beber uma cervejola com a malta nova e os mordomos da festa que se estafem...

Ontem o "kiss-cross", como dizemos na família, hoje uma visita pela Galiza. 

A primeira paragem,  Vigo, ficará para sempre na minha memória, pelo inesperado: Fomos beber um café junto à praia e a empregada de mesa era uma senhora com sessenta e muitos anos (e estou a ser simpática), que trava uma luta desleal contra a idade. Chapéu de tule na cabeça, lábios muito pintados e óculos de sol. Nos seus tempos áureos foi com certeza uma artista! Tenho pena de não ter conseguido uma foto melhor.



Mais impressões desta viagem têm de ficar para depois, pois estou a monopolizar o portátil e o meu marido já está a deitar fumo!!!!