sexta-feira, 21 de maio de 2010

Coincidências


A semana passada fui à feira do livro e no stand da Leya houve um livro que me chamou a atenção: "As profecias de Nostradamus" de Mario Reading. Lembro-me de o meu avô materno falar nestas profecias, que lhe renderam aliás muita popularidade lá na aldeia, daí o meu interesse imediato pelo assunto. Comecei a ler o livro e estou a achar um thriller interessante.

Esta semana, numa conversa casual com a minha mãe, ela contou-me que na ginástica lhe tinham falado sobre uma teoria de que o mundo ia acabar em 2012!!!... Dizia-me ela para eu ir ao google e escrever 2012 que me aparecia logo a informação sobre o fim do mundo. Bem mandada, lá fui ver o que é que me aparecia se escrevesse apenas "2012"... e lá estava a tal teoria, baseada no calendário Maya e no buraco negro, bla, bla, bla...como não sou nada fatalista, segui para bingo...

O elo de ligação destas duas situações banais: Ontem lembrei-me de ir à net pesquisar sobre a biografia de Nostradumus e não é que vou parar a um programa do canal Historia chamado "Nostradamus 2012", com a tal teoria sobre o fim do mundo... arre gaita...

Se calhar isto é o alinhamento dos planetas a avisar-me de algo...medo... 

Outra curiosidade: Entretanto, parece que já houve em Portugal uma manifestação contra o tal livro (http://asfolhasardem.wordpress.com/2009/12/14/e-eram-tao-novos/) feita por um grupo pertencente à Igreja Baptista. E pelos vistos o próprio Mario Reading leu a tradução desse tal blog, porque este acontecimento já consta do blog do autor ( http://blog.marioreading.com/?p=162 ), que faz uma analogia a Salman Rushdie.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

António Lobo Antunes

Há já algum tempo que não lia as crónicas de Lobo Antunes. Mas o meu filho tinha teste de Português e como ia sair "a crónica" e "o artigo de opinião" eu disse-lhe que se o professor fosse tão bom como ele dizia, tinha de escolher este magnífico escritor. 

Só não acerto o raio dos números que me vão tornar rica!!!!

Foi um prazer voltar a ler as crónicas que ele escreve para a revista Visão, de onde retirei esta:

Ó flor pensa com a raiz

Não é uma pessoa, é um monumento: um metro e noventa e quatro de altura, cento e dez quilos de peso, mãos gigantescas, uma força desmesurada, calça quarenta e oito, ocupa uma mesa inteira de garrafa de cerveja na mão, enche o tasco com a voz e ninguém se atreve a interrompê-lo. Não precisa de zangar-se: resolve qualquer problema com uma frase definitiva que me deixa de boca aberta de admiração. Primeiro exemplo: a empregada do tasco não havia maneira de lhe atinar com a conta e ele estimulou-lhe as capacidades mentais com uma ordem definitiva:
            - Ó flor pensa com a raiz.
            Segundo exemplo: um fulano entrou no dito tasco com os óculos escuros subidos até ao cabelo e vai ele:
            - Roubaste os óculos a um gajo mais alto do que tu?
            Terceiro exemplo: impacientou-se não sei com quem e preveniu
            - Olha que eu dou-te uma lambada que dás três voltas à cueca sem tocar no elástico.
            Quarto exemplo: andavam esses sujeitos da Câmara, vestidos de verde, a multar com entusiasmo, uma das minhas filhas hesitava em arrumar o automóvel num lugar proibido e ele sossegou-a, diante dos sujeitos verdes amedrontados:
            - Ponha-o aí à vontade, menina: por cima de mim só os aviões.
            E podia multiplicar os exemplos até ao infinito. Ultimamente anda deprimido: a mulher deixou-o e pediu o divórcio por causa de uma discussão sem importância. Não entende que uma discussãozeca acabe com um casamento de dezanove anos. Ainda por cima um problema de caracacá: que culpa tem ele da fragilidade da esposa:
            - Mal lhe rocei partiu logo os dois braços
            e isto numa surpresa sincera, a espalmar-se de inocência contra o peito:
            - Pela felicidade dos meus filhos que mal lhe rocei, senhor doutor.
            É camionista
            (se calhar, em vez de conduzir, leva o camião às costas)
            bruto e sensível ao mesmo tempo, de lágrima tão fácil quanto o murro, pronto a enternecer-se e a zangar-se, imprevisível na violência e na compaixão, orgulhoso e humilde, tão solitário no fundo, de uma agudeza instintiva e certeira que uma matreirice sem maldade acompanha. Quando pega na cerveja a garrafa desaparece-lhe na palma e o balcão cheio de gargalos vazios. Nunca o vi bêbado mas se calhar tão pouco sóbrio, navega numa zona intermédia, de álcool à vista. Agora, sem mulher nem filha
            - Tem treze anos, um metro e oitenta e dois e calça três números abaixo do meu
            passeia melancolias nos intervalos das viagens, sempre de fato e gravata, penteado, perfeito. Mostra-me fotografias da filha gigantesca, retiradas com dificuldade da confusão da carteira. Digo-lhe que é bonita, corrige
            - Um Ferrari
            e dissolve-se, imóvel, numa saudade comprida. A filha não terá apreciado os braços partidos da mãe, vá-se lá saber porquê, e recusa vê-lo, de modo que lhe ronda a escola à hora da saída, escondido numa árvore do outro lado do passeio. Mal a filha apanha o autocarro, sem dar por ele, volta a pé para o tasco a lutar contra uma humidade ácida que, de repente, lhe incomoda os olhos. No tasco as garrafas de cerveja triplicam e não se torna especialmente aconselhável falar-lhe. Por volta da vigésima oitava pede a conta, a empregada não acerta e lá vem o
            - Ó flor pensa com a raiz
            mas sem alma, cansado. Levanta-se devagar, vai-se embora sem cumprimentar ninguém e apesar de por cima dele só os aviões ei-lo indefeso e minúsculo, um trapinho à deriva que qualquer sopro empurra. Uma ocasião anunciou-me
            - A vida não é fácil, senhor doutor
            deu-me uma palmada nas costas que ele julgava cúmplice e me desarrumou os órgãos todos e sumiu-se deixando-me de fígado no peito e coração no umbigo: quase dei três voltas à cueca sem tocar no elástico. Nas últimas semanas não o tenho visto. Contaram-me que foi com o camião para o estrangeiro, o Luxemburgo ou assim, e esses trabalhos demoram muito tempo. Fingi que acreditei. Fingi tanto que acreditei de facto embora sabendo, no interior da alma, que era mentira. Ontem tive no jornal a prova disso ou pode ser que o jornal se referisse a outra pessoa. Vinha lá escrito que um camionista deixou o volante à beira de uma linha férrea, marchou uma centena de metros ao longo das calhas e abraçou-se
            (como quem abraça uma filha?)
            ao primeiro comboio que apareceu. O retrato no jornal é o dele mas talvez eu esteja enganado. De certeza que estou enganado: parecemo-nos tanto uns com os outros, não é?


Do livro O Manual dos Inquisidores não esqueço aquela parte em que a menina de boas famílias dá uma esmola ao "seu" pobre e lhe recomenda:

"- Agora veja lá não gaste isso tudo em aguardente

respondeu-me malcriadíssimo a virar e a revirar a moeda

- Claro que não menina claro que não fique descansada que vou direitinho ao stand e compro um Alfa Romeo»)."

 

sábado, 8 de maio de 2010

A alimentação pelo mundo fora

Recebi estas fotos por e-mail e coloco aqui porque é uma informação muito interessante.

Mostra o contrataste do poder de compra de uma família média de diversos países, onde o desperdício de uns alimentava uma família completa de outros

Mas evidencia também o tipo de alimentação dos diferentes países.

CONSUMO MÉDIO SEMANAL DE UMA FAMÍLIA 
EM DIVERSOS PAÍSES


Alemanha:  375.39 Euros or $500.07




EstadosUnidos$341.98


Itália (Sicília):  214.36 Euros or $260.11


México:  1,862.78 Mexican Pesos or $189.09 


Polónia:  582.48 Zlotys or $151.27 


Egipto: 387.85 Egyptian Pounds or $68.53



Equador: $31.55



Butão:  22493 ngultrum or $5.03

Chade :  685 CFA Francs or $1.23 
                                  

Vamos mas é poupar e ajudar quem precisa!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sweet Sixteen

O meu Pedrote faz hoje 16 anos. Bela idade e grande dia! 

É a idade da emancipação, embora eu não o queira muito emancipado...mas também não me considero "mãe galinha", no sentido de impedir que as crianças cresçam. Pelo contrário, acho que devem arriscar, conhecer os seus limites e saborear cada dia. 



Como jovem responsável que é e porque tem um teste importante depois de amanhã, depois de jantarmos sem família e cantarmos os parabéns, vai de estudar uns minutitos, que o raio das médias são uma assombração!!!


O Benjamim da família (quando ele ler isto vai dizer "ó mãe, eu não me chamo Benjamim!"), perdeu na 6ª feira passada o seu primeiro dente de leite. Mais um marco no seu crescimento. E mais uma prenda para o ratinho oferecer...

A princesa foi, no Domingo, a uma festa de aniversário no KidZania e pelos vistos decidiu gastar uns KidZos no cabeleireiro, porque veio de lá com o cabelo parecido com o desta Polly.







sábado, 1 de maio de 2010

Angola

Hoje acordei com vontade de reler este poema.


Sou da mesma terra que tu

Quando te disse
Que era da terra selvagem
Do vento azul
E das praias morenas...
Do arco-íris das mil cores
Do Sol com fruta madura
E das madrugadas serenas....

Das cubatas e musseques
Das palmeiras com dendém
Das picadas com poeira
Da mandioca e fuba também...

Das mangas e fruta pinha
Do vermelho do café
Dos maboques e tamarindos
Dos cocos, do ai u'é...

Das praças no chão estendidas
Com missangas de mil cores
Os panos do Congo e os kimonos
Os aromas, os odores...

Dos chinelos no chão quente
Do andar descontraído
Da cerveja ao fim da tarde
Com o Sol adormecido...

Dos merenges e do batuque
Dos muquixes e dos mupungos
Dos imbondeiros e das gajajas
Da macanha e dos maiungos.

Da cana doce e do mamão
Da papaia e do caju...

Tu sorriste e sussurraste
"Sou da mesma terra que tu!"

Ana Paula Lavado, in, Um Beijo... Sem Nome