domingo, 4 de dezembro de 2011

Nevoeiro - "Mensagem" de Fernando Pessoa



Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!
                   Valete, Frates




A Mensagem é intemporal e muito apropriada, quer pelo ambiente atmosférico quer pelo clima económico que vivemos.


O poema não é fatalista, evoca D. Sebastião (que regressará numa manhã de nevoeiro para nos salvar) e termina com "Felidades, irmãos"! 

Melhores dias virão.


Neste dia, eu corri com a crise... 
Hoje, para afugentar de vez a melancolia, vou dançar com a Biliticas, à la "Trovolta/Thurman" style! Ela adorou o género!




 

Sem comentários: